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2013


CONFERÊNCIA
A Volta à Europa dos Economistas Progressistas
Conferência de Lisboa
Futuro do Euro – Explosão ou reconfiguração
© Bernard Bouton
QUA 11 DE DEZEMBRO
Pequeno Auditório
18h · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Conferência em português
e francês com tradução simultânea.

A conferência será gravada e transmitida em direto neste site.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
apoio

apoio
Organização Economistas Progressistas e Economistas Aterrados

Coordenação
João Cravinho

 

Conferencistas
João Ferreira do Amaral, Para uma nova solução monetária para a Europa

Christophe Ramaux, A crise europeia e o futuro do euro

 

Comentadores
Joaquim Ventura Leite e Jorge Reis Novais

 

 

 

 

Os Economistas Progressistas é uma organização internacional que agrupa economistas de nove países europeus, por país ou em rede, como a EuroMemo Group e a Transform, e os Economistas Aterrados é um agrupamento de economistas com origem em França e que se estendeu depois a todos os apoiantes do seu Manifesto.
Face à crise europeia e à impossibilidade de se criar uma saída para ela no quadro do sistema e do modelo de políticas que a geraram, decidiram estes dois grandes grupos de economistas organizar em vários países europeus uma série de conferências onde se pretende refletir sobre o discurso dominante relativo à crise, sobre as consequências devastadoras que se estão já a sentir, sobre a forma de as combater, em suma, sobre a forma de se sair da crise. São nove os países onde os grandes temas que afligem a Europa de hoje estarão em debate conforme texto abaixo e com eles é o futuro da Europa e do euro que estará igualmente em discussão. Dito de um outro modo, o objeto central destes debates é indagar sobre outras políticas, um outro modelo, uma outra visão da Democracia, que não esteja assente numa dinâmica de desigualdades crescentes, numa subserviência aos mercados financeiros, numa inversão da própria democracia. Entendem estes economistas que atualmente são os mercados que controlam os Estados ao invés de serem os Estados e as suas organizações regionais, como a União Europeia, a controlarem, a regularem os mercados. Um outro modelo significa necessariamente uma outra visão do euro e dos mecanismos e das regras que o suportam. Esse é o tema que será tratado em Portugal, nas cidades de Lisboa e de Coimbra, sob a organização de um conjunto de docentes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes), signatários quer do manifesto dos Economistas Aterrados quer do EuroMemorandum.

 

 

A Volta à Europa dos Economistas Progressistas
Conferências na Europa

A maioria das políticas económicas aplicadas desde há três décadas e, mais particularmente, desde a crise aberta em 2008, só fazem com que a situação económica, social e ecológica da Europa se continue a degradar ainda mais. Acreditamos, no entanto, que para restabelecer a situação financeira das administrações públicas, para criar empregos de qualidade para todos e iniciar imediatamente a transição ecológica, outras políticas são necessárias. Elas teriam por finalidade promover uma distribuição mais equitativa da riqueza e o fim da dominação dos mercados financeiros sobre o financiamento das empresas e dos Estados europeus.
Na base desta nossa convicção, enquanto Economistas Progressistas organizamos uma Volta pela Europa que será realizada em nove etapas. A Volta iniciar-se-á na Bélgica, em Bruxelas, e irá colocar em evidência como é que a desindustrialização, que está na origem do desemprego e da precariedade, tem como origem a financeirização das grandes empresas industriais europeias e as políticas europeias da concorrência, centradas unicamente sobre a competitividade do território. A segunda etapa terá lugar em Madrid. Incidirá sobre a importância da redução das desigualdades para encarar uma saída credível da crise. A terceira etapa terá lugar em Portugal, em Lisboa e Coimbra. Ela evocará o futuro do euro. A moeda única europeia, a principal realização da União Europeia, tem acentuado as disparidades económicas entre os países e enfraquecido o financiamento de Estados. A questão do seu futuro deve, portanto, ser levantada. Roma e a Itália serão a quarta etapa, que incidirá sobre a juventude e a crise. Os jovens são particularmente atingidos pela crise que, degradando o emprego, impede todas as perspetivas de inserção social de toda uma geração. Isto contribui para o aumento das desigualdades. As políticas de “deflação salarial competitiva” atingem hoje a grande maioria dos Estados europeus. Desde o início do século XXI, a pressão sobre os salários na corrida para a competitividade foi particularmente forte na Alemanha. A etapa de Berlim incidirá sobre os salários na Europa. As políticas de austeridade são não só um erro social como também um erro económico e foram conduzidas desde muito cedo e de modo muito intenso na Grã-Bretanha. Elas estarão no centro do debate durante a etapa de Londres. A Grécia é, definitivamente, o país que mais sofreu com a crise europeia. Os auxílios ao Estado grego foram condicionados à aplicação de políticas de redução exorbitantes e antissociais das despesas públicas. Assim, os serviços públicos gregos, em particular, a educação e a saúde, estão hoje exangues. Na Irlanda, discutiremos o papel do sistema bancário, todo ele virado para os mercados financeiros assim como o papel da especulação na crise económica e das dívidas públicas. Por fim, a última etapa será em França, em Paris. Queremos mostrar que um verdadeiro projeto de transição ecológica assente num outro modo de produção e de consumo é possível e é, sobretudo, urgente, sendo certo que não pode passar pelas atuais políticas europeias de mercantilização dos direitos de poluir.

 

 

João Cravinho
Engenheiro formado pelo Instituto Superior Técnico; MA Economics pela Yale University; estudos-graduados na Oxford University; funcionário público; diretor do GEBEI; Professor convidado de economia no ISEG, ISCTE e Universidade de Coimbra; deputado; vice-presidente do Parlamento Europeu; Ministro da Indústria e Ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território; membro do Conselho de Administração do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.

 

João Ferreira do Amaral
Professor Catedrático aposentado do ISEG/UTL, Presidente da Direção da Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal. Membro do Conselho Económico e Social. Foi membro do Conselho Superior de Estatística, Diretor-geral do Departamento Central de Planeamento, membro do Comité de Política Económica da então CEE e assessor da casa civil do Presidente da República.
Autor de vários livros sobre temas económicos, sendo o mais recente Porque devemos sair do euro (Lua de Papel, 2013).

 

Christophe Ramaux
É Professor Auxiliar de Economia na Universidade de Paris I (Centro de Economia da Sorbonne). Investiga sobre o Estado Social, a Europa, a proteção social e a política económica. É membro do coletivo dos Economistas Aterrados.

 

Joaquim Ventura Leite
Licenciado em Finanças pelo ex-ISCEF (Lisboa); quadro do Estado em Moçambique até 1984; quadro do Estado Português desde 1986 até ao presente. Foi Deputado à Assembleia da República entre 2005 e 2009.

 

Jorge Reis Novais
Constitucionalista, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, especialista e autor de variadas obras sobre sistema de governo e sobre direitos fundamentais, antigo Consultor para Assuntos Constitucionais do Presidente Jorge Sampaio e do Primeiro Ministro José Sócrates, no seu primeiro governo.